No dia 8 de agosto, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 50ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, realizou mais uma entrega de celulares do projeto “Transforme”. Desta vez, 150 aparelhos foram destinados à Escola Estadual Indígena Angelina Vicente e à Escola Municipal Indígena Professor Eugênio de Souza, localizadas no município de Nioaque.

Os celulares recondicionados irão atender cerca de 60 estudantes matriculados na instituição estadual e 90 na instituição municipal, ambas situadas na aldeia Brejão, mas que também recebem alunos oriundos das aldeias Taboquinha, Água Branca e Cabeceira. A doação foi realizada após solicitação da Câmara Municipal de Nioaque.

Para a titular da 50ª Promotoria de Justiça e idealizadora do projeto, Jiskia Sandri Trentin, a iniciativa tem contribuído para o fortalecimento da inclusão digital na educação pública do Estado. “O projeto ganha uma relevância ímpar ao poder ajudar pessoas mais excluídas, com dificuldades de inclusão digital, tão importante no mundo atual. Poder proporcionar a elas o acesso a esses aparelhos, que foram irregularmente apreendidos e transformados para essa finalidade”.

Criado em 2021, o projeto “Transforme” foi inspirado no projeto “Alquimia II”, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), e consiste na doação de celulares apreendidos em unidades prisionais a alunos das redes municipal e estadual de ensino. Os aparelhos, disponibilizados pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen), foram devidamente restaurados, formatados e higienizados por acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Projeto “Transforme”

Desde sua criação, o “Transforme” já realizou a entrega de mais de 1,2 mil aparelhos, principalmente para crianças de comunidades indígenas e da zona rural. O projeto visa reaproveitar celulares apreendidos em “pentes-finos” realizados nas unidades prisionais de Mato Grosso do Sul, onde seu uso é proibido, e que, até então, eram destinados à destruição.

Os aparelhos são separados na sede da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (GISP/Agepen) e encaminhados para a devida formatação por estudantes universitários. Somente após todo o processo, os equipamentos são entregues aos alunos da rede pública de ensino, com o objetivo de promover a inclusão digital da população menos favorecida e reduzir a desigualdade no acesso à educação.

Texto: Maurício Aguiar
Fotos: Decom/MPMS