A Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (ESMP-MS) realizou, nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6), o segundo treinamento do software Reactor, da Chainalysis, que teve como finalidade apresentar as principais funcionalidades da ferramenta e destacar o seu uso no enfrentamento ao crime organizado, especialmente em casos que envolvem fraudes, lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento de atividades ilícitas por meio de ativos virtuais.
Na abertura da capacitação, o Promotor de Justiça e Diretor-Geral da ESMP-MS, Fabio Ianni Goldfinger, destacou a presença de participantes de diversos estados e enfatizou a realização da formação como mais um avanço da Escola Superior no contínuo aperfeiçoamento das atribuições do Ministério Público e de seus membros.
“Esta é mais uma oportunidade de fomentar centros de estudo e de aperfeiçoamento voltados aos Ministérios Públicos de todo o Brasil e às demais instituições parceiras. As equipes da Escola Superior do Ministério Público, assim como as instituições representadas, estão à disposição para auxiliar no que for necessário”, ressaltou o Diretor-Geral da ESMP-MS.
Para o Promotor de Justiça e Coordenador do Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação (CI) do MPMS, Thalys Franklyn de Souza, há uma clara mudança no escopo de atuação da criminalidade, o que torna cada vez mais complexo o seu combate. “Estamos vivenciando uma mudança significativa na atuação e dinâmica da criminalidade, com a migração dos crimes para o ambiente virtual e o uso cada vez mais frequente de criptoativos. Diante disso, este curso se torna ainda mais relevante”.
O Promotor de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Francisco de Assis Machado Cardoso, ressaltou que este é o segundo treinamento realizado sobre a ferramenta — o primeiro ocorreu no Rio de Janeiro — e destacou a relevância da realização da nova capacitação no Mato Grosso do Sul. “O primeiro foi no Rio de Janeiro, após a adesão e formalização do acordo. Inicialmente, a adesão foi feita por algumas instituições, e posteriormente por todos os estados e órgãos representados aqui. Hoje, contamos com a participação de três ministros e representantes dos órgãos públicos que aderiram ao acordo”.
Durante a formação, ministrada por Ugo Portela e Renato Bastos, Global Services Manager e Senior Investigator da Chainalysis na América Latina, respectivamente, foram apresentadas diversas funcionalidades da ferramenta, entre elas a capacidade de mapear e rastrear transações envolvendo criptoativos, identificar responsáveis por movimentações financeiras e visualizar fluxos na rede blockchain por meio de uma interface simples e intuitiva.
Também foram abordados os fundamentos do Reactor, a construção de gráficos, técnicas analíticas avançadas, análises de peel chain, transações e fusão de clusters, além de estratégias para identificação e isolamento de endereços de depósito.
Participante da capacitação, o Promotor de Justiça da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos do CI, Michel Maesano Mancuelho, destacou que o curso teve como foco preparar autoridades de investigação para a atuação em casos que envolvem criptoativos, ampliando o domínio técnico sobre ferramentas especializadas do mercado. “Essa certificação visa fornecer conhecimento para as autoridades para que possam, em casos práticos e durante investigações, fazer o rastreio de ativos e identificar eventuais ilícitos dentro da indústria de blockchain e criptoativos”.
Texto: Maurício Aguiar e Letícia Ferreira
Foto: Decom/MPMS
Revisão: Fabrício Judson