O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu o primeiro passo para uma importante articulação social e de defesa de direitos na Aldeia Pirakuá, localizada no município de Bela Vista. Motivada por um pedido oficial trazido pelo Cacique da comunidade, a instituição realizou uma visita técnica focada na escuta ativa e no acolhimento das mulheres indígenas, que vêm enfrentando um cenário preocupante de vulnerabilidade e violência doméstica.
A Promotora de Justiça Substituta Dafne Prado Sabag explica que a iniciativa surgiu após o Cacique protocolar um pedido formal de atenção junto ao MPMS, alertando sobre o alto índice de violência e as graves violações de direitos que as mulheres da aldeia estavam sofrendo. Diante do clamor da liderança, a prioridade do órgão foi estabelecer um canal direto de diálogo, indo até o território para compreender a realidade local a partir da perspectiva das próprias vítimas.
"A primeira coisa que me ocorreu foi ir lá ouvir as mulheres, para entender do que elas precisam. Foi um primeiro passo para a escuta. Antes de propor qualquer medida, precisávamos ouvir, e elas trouxeram diversas questões complexas que estão vivenciando”, destacou a representante do MPMS responsável pela ação.
Para romper as barreiras do isolamento e do medo, o MPMS utilizou a metodologia do Círculo de Paz. A dinâmica reuniu as moradoras da Aldeia Pirakuá em um espaço seguro e horizontal de fala, permitindo que compartilhassem suas dores, medos e aspirações. O encontro foi classificado pela equipe técnica como uma experiência profunda, emocionante e de forte impacto humano.
Durante a roda de conversa, as mulheres relataram dificuldades que vão muito além da violência física, englobando barreiras estruturais, tais como dificuldades para o registro formal de boletins de ocorrência; escassez de recursos materiais básicos dentro da comunidade; e a necessidade de maior presença do Estado e de serviços socioassistenciais voltados à realidade indígena.
Próximos passos: Construção de ações concretas
Com o diagnóstico inicial realizado por meio do Círculo de Paz, o MPMS agora inicia a segunda fase do projeto. A instituição irá se debruçar sobre as demandas coletadas para articular, junto aos órgãos competentes, soluções viáveis e integradas que garantam a segurança e a dignidade da comunidade.
O objetivo é desenhar um plano de ação que facilite o acesso dessas mulheres aos canais de denúncia, fortaleça a rede de proteção no município de Bela Vista e promova a cidadania plena dentro da Aldeia Pirakuá.
Para o MPMS, escutar as lideranças e as mulheres in loco reafirma o compromisso institucional de interiorizar a justiça, respeitando as especificidades culturais dos povos originários e combatendo a violência de gênero em todas as suas frentes.
Texto: Danielle Valentim
Revisão: Fabrício Judson
Foto: Divulgação